quarta-feira, 13 de julho de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Existe um mundo além do papai e mamãe
Costumo dizer que todo ser humano possui um universo de desejos e fetiches escondidos por trás de credenciais corporativas e roupas sociais bem passadas. Todo mundo, até aquele seu amigo puritano que odiava a novela das 23h e falava sobre as putarias que rolavam por lá em tom de reprovação tem fantasias. Imagina se a pessoa que tá aí do teu lado na cama não vai ter.
Eu mesmo adoro levar uns tapas no rosto, desde que não quebrem meu maxilar ou me deixem com cinco dedos marcados. Adoro roçar a barba no pescoço e ouvir gemidos nada abafados de quem tá se entregando, dominar a coisa toda, sentir o suor pingando e tudo mais. São acordos pré-estabelecidos ou que vão sendo destravados no quarto. Eu, por exemplo, sempre levanto a bandeira do “pode falar tudo, desde o mais sórdido ao mais simples, a gente discute onde a gente encaixa”, e ainda tem um monte de gente que morre de medo de falar disso.
Qual o problema em dizer que você adora ménages e que, se pudesse, só praticaria essa modalidade de sexo enquanto não se apaixona por alguém? Qual é o problema em falar das algemas, dos mamilos, dos tapas-que-não-arrancam-a-cabeça-fora, do cuspe na cara, da troca de saliva e de um monte de coisa que a gente não deveria falar alto em horário comercial? Nunca entendi gente que se priva entre quatro paredes. Lá fora, infelizmente, entendo que falar sobre qualquer coisa relacionada a sexo seja tabu, um tabuzão do cacete, uma coisa estupidamente escrota.
Você acha que vão te achar estranho, que vão se afastar de você, que vão te rejeitar e, talvez, perca a ideia de cumplicidade no sexo. Eu odeio dormir de conchinha e isso sempre foi lei nos meus namoros: ficamos de conchinha e, na hora de efetivamente dormir, cada um pro seu lado. Pronto, é um acordo. Você faz acordos sexuais pra ter mais prazer, pra se sentir bem e pra evitar que algum louco desvairado te dê um chute na cara confessando que tem tesão por fraturas. Vai saber, né?
O que quero dizer com esse papo todo é que sexo não deveria perder a naturalidade, assim como a arte do diálogo sexual também não. Nosso lado animalesco – quando é bom – precisa sair da gente pra nos dar mais prazer e pra dar mais prazer pro outro. Aquela coisinha bizarra ou básica que você quer fazer pode ser perfeitamente compatível com a que a pessoa que transa contigo quer. Pode ser que não bata muito, mas um “vamos tentar” role e você perceba que nem é tão divertido assim. Fantasias e fetiches foram feitas para serem testadas. Eu tinha um tesão enorme na ideia de ser sufocado e hoje em dia quero distância de qualquer par de mãos que fiquem em volta do meu pescoço. Tenho horror ao enforcamento. E por aí vai. Cê pode descobrir que adora saliva em excesso e perceber que o papai-e-mamãe era chato pra caramba mesmo. Você pode descobrir que não gosta de nada além do normal e tá tudo bem com isso. O importante é justamente estar tudo bem com isso, por mais bizarra que sejam as suas fantasias, desde que elas nunca se misturem com os limites e perigos à vida do outro.
Vai por mim, testar faz bem. Falar putaria abertamente com a tua companhia também. Você vai se sentir a Alice no País das Maravilhas descobrindo que o mundo do sexo vai muito além do papai-e-mamãe.
O mundo seria mais bonito se fosse bissexual
Eu sempre disse que o mundo seria mais bonito se todos fôssemos bissexuais, e, brincadeiras à parte, talvez seria mesmo.
Parando pra analisar friamente, não existiria esse preconceito idiota que infelizmente ainda circula por nossas ruas, interwebs e vidas (sem comentar o fato de que o leque de oportunidades iria automaticamente a 100%).
Ok, ok. Menos.
Mas eu já estou vendo, menino, sua cara de nojinho ao imaginar “outra barba se esfregando na sua”; ou você, guria, “beijando outra boca com batom”. Honestamente? E DAÍ? Preconceito não tá com nada e amor é bom quando celebrado. Não interessa se a boca tem barba ou batom: interessa se existe vontade mútua.
Bissexualidade é uma realidade cada vez mais presente em nossas vidas, e cabe a cada um de nós fazer nossa parte para entender que biológica e culturalmente, nascemos homens e mulheres, seres fisicamente diferentes e definidos aos olhos da sociedade. Que em teoria, homem e mulher seriam o encaixe perfeito. Mas que o comportamento de cada um vai se moldando ao longo da vida e sofre influências psicossociais. Resultado: nem oito nem oitenta.
Novos valores surgidos a partir de grupos que se formam batendo de frente com o que a sociedade impõe ganham cada vez mais relevância no contexto social moderno. A juventude por exemplo, vê na sexualidade uma forma de dar o grito de liberdade.
“Estamos aceitando a diversidade. Permitimos que as pessoas ‘diferentes’ do padrão imposto socialmente saiam de seus casulos e assumam seus desejos. Isto é um ganho individual e social. Provavelmente, num futuro próximo, muitos dirão: ESTOU bissexual, e não SOU bissexual”, diz a terapeuta sexual Franciele Minotto. Mas, quando se trata da sexualidade, muitos ainda arregalam os olhos.
Descobrir-se bissexual é uma questão que está intimamente ligada à relação com o mundo que cada um tem. A cultura tem um papel fundamental na definição dos papéis sociais. É a partir dela que se define o conjunto de comportamentos considerados adequados às pessoas. E com a bissexualidade é a mesma coisa.
Vale lembrar que a partir do momento que o indivíduo é bem resolvido e tem coragem de enfrentar todas as críticas alheias, assumir-se bissexual ainda esbarra em aspectos pessoais, profissionais e familiares. E esta “apresentação” para o mundo pode ser acompanhada por momentos difíceis, infelizmente.
A nossa parte? Aceitar diferenças. Entender que alguém que não tem a mesma sexualidade que você, não está necessariamente errado. E que importante é todos sermos felizes com nossas escolhas. Palavras de uma hétero, que respeita (e admira) o mundo bi.
Precisa-se falar de sexo
Sexo, pau, buceta e cu ainda são tabus – o cu então, coitado, nem se fala. Falar a palavra ‘”cu” é pior que invocar o Voldermort. Pergunte para amiga se ela dá o cu. É possível que a reação dela seja uma das seguintes: ficar verde e desmaiar, rir como uma menina de onze anos ou responder que “é claro que não isso não é coisa que se faça e muito menos que se pergunte”.
Se as pessoas não querem falar de sexo em mesa de bar ou entre amigos é uma coisa. Realmente, ninguém é obrigado a falar desse assunto e tem gente que preza pela discrição. Mas e quando as pessoas se recusam a falar de sexo com os próprios companheiros? Não falam que odeiam ficar por cima (ou por baixo), que amam dar de quatro com a luz acesa, que adoram que chamem de “cachorra”, que odeiam tapa na bunda, não discutem sobre preliminares, sexo oral, clitóris, gozo, fio-terra, fantasias sexuais.
Só fazem sexo e pronto.
Foi bom? Foi “ok”.
Tem gente que começa com um sexo incrível e com o tempo deixa ele ficar mecânico. Outros começam com um sexo muito meia boca e não conseguem evoluir porque não conseguem falar sobre esse assunto com ninguém. Tem vergonha. A vergonha é maior que a vontade de ter prazer. Tem gente que acha que o sexo que faz é o mais prazeroso que pode ser e não faz ideia do quão melhor poderia ser. MUITO melhor. Tem gente que faz sexo sem tirar a roupa. Porque tem pre-gui-ça. Abre o zíper, abaixa um pouquinho as calças, só o mínimo necessário e pronto.
Não! Não vamos deixar isso acontecer! Não vamos deixar o sexo ser “ok”. Muitas vezes vai ser mesmo – é inevitável. Mas sempre “ok”? Não pode. Pode ser melhor. Pode ser muito mais gostoso. Pode ser incrível – não sempre, incrível sempre, simplesmente não tem como. Sinto muito. Mas pode ser bom. Muito bom. Mas temos que falar sobre isso. Temos que falar sobre sexo. Vem, vamos conversar. Vamos falar de pau e buceta, de clitóris, de peito, de bunda, de saco escrotal – sim! Os testículos! Não ignorem os testículos! – de língua, sexo oral, boquete, surra de pica, gozo, dar de quatro, dar em pé, dar no carro, na cozinha, dar em cima da máquina de lavar. Dar onde você quiser.
Não vamos ter vergonha, não vamos ter preguiça. Então deixe o constrangimento de lado e – por favor – tira essa calça jeans!
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